30 de out de 2010

Última declaração de voto antes de domingo


Não tenho vergonha nenhuma de ser um cabra que se toma pela emoção com a maior facilidade do mundo. Vou às lágrimas com uma frequência espantosa, pelas razões mais improváveis. E acredito firmemente que, dentre as tantas coisas que unem brasileiros de todos os rincões deste monumental país, uma delas é essa capacidade linda que nós temos de reconhecer a beleza e de nos misturarmos a ela.

Somos, orgulhosamente, um povo de paz, que antes brinca e zomba que ataca e odeia; um povo de alegria, que reconhece nas suas festas, cantos e danças a mais legítima expressão de sua própria identidade; um povo de tolerância, que é singular exatamente porque é plural; um povo de luta, que sabe admirar aquele que está ao seu lado e que nunca quer ver um companheiro sem condições de aproveitar consigo os prazeres que a vida dá.

Isso, deixemos claro, não significa assumir um espírito condescente ou adotar uma hipócrita postura de superioridade caridosa. É que, diferentes de outros povos, de outras terras, não sabemos ser sós. 

Precisamos estar em contato com o outro e precisamos que o outro possa estar em contato conosco e, por isso, constantemente enchemos estádios e ruas e bares e terreiros e igrejas e redes sociais. É, talvez, a maior contribuição da nossa gente pra roda-viva do nosso tempo: precisamos um do outro pra festa ser completa e pros céus nos darem a bênção.

Lula, nestes últimos oito anos, e Dilma, nos próximos que virão, tornaram e vão continuar tornando essa nossa festa mais completa. 

Apesar das dezenas de postagens com números, análises, resenhas e dados aqui deste blogue, meu voto amanhã não tem outra razão senão esta: preservar o meu direito de reconhecer, no Brasil, o Brasil de verdade.

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