20 de nov de 2010

Quilombos às avessas

Se me permitem o clichê, é preciso mais que o tempo para apagar as manchas que séculos e séculos de escravidão deixaram na nossa gente. O preconceito determinista e o pensamento nobiliárquico/aristocrático ainda têm pesada voz em muitos círculos, abastados ou não, da nossa sociedade.

O resultado disso é que permanece, nos nossos dias, um processo medonho de "embranquecimento" da nossa gente; um preconceito que não só incita, por exemplo, a ridicularização das manifestações musicais e religiosas do povo negro e ameríndio, mas também, quando muito, a absorção superficial da sua influência na nossa cultura. Explico.

O Brasil, para muitas pessoas, não é uma nação, uma raiz; é apenas uma circunstância, um triste acaso do destino. Tudo aqui lhes é exótico. Muitos há que "toleram" o samba e o candomblé, para citar casos comuns, mas se posicionam diante dessas manifestações como turistas que se veem num safári. Vão a uma noite de samba no Salgueiro ou a um terreiro e acham que merecem uma medalha de bravura por isso. São capazes de "achar lindo o toque daquele tambor e aquelas moças todas dançando", mas se colocam numa posição de distanciamento e superioridade, típica de quem detém exclusivamente o saber formal das músicas eruditas de Mozart, das epopeias de Homero, das pinturas de Caravaggio e "curte o som das melhores casas noturnas de Ibiza". São os desterrados em sua própria terra; são os que sonham morar em Paris ou Miami; são os que criam núcleos de resistência em condomínios e shoppings, numa espécie de quilombo às avessas. Estão neste país permanentemente de férias, esperando uma europeização que, para eles, tem que vir, e há de vir.

Quero deixar claro que este texto não busca fazer uma simplista apologia da cultura popular, em detrimento da erudita (ou, em outra visão, da verdadeira cultura nacional, em detrimento de estrangeira). Este texto busca demonstrar que não se pode encarar uma como oficial, outra como marginal; uma como desejável, outra como tolerável (quando muito). É no Brasil preto, índio, branco e imigrante que vivemos e, por isso, não adianta consumirmos apenas o que vem de fora para nos esclarecermos diante de nós mesmos. É preciso conhecer e respeitar esse Brasil de verdade para encontrarmos paz.

Certo é, meus caros, que gostos variam e que afinidades se criam, e por conta disso é perfeitamente possível gostar mais de uma fuga de Bach que de um choro de Pixinguinha, ou mais de uma canção dos Beatles que de um samba de Candeia. O que não se pode é desprezar legítimas manifestações culturais ou pensar que elas devem se circunscrever a determinados grupos.


Vejo com temor algumas pessoas ainda proclamando que não existe preconceito no Brasil, e outras acreditando nisso. Pior: pessoas achando ridículo existir um dia da consciência negra, sob a alegação de que isso sim é que cria o preconceito. Pois bem, numa rápida busca no Twitter pelo termo "Umbanda", encontrei ataques e deboches inúmeros. Encontrei também, por exemplo, o seguinte: "ah não, ah não, ah não, o 'fulano' é da Umbanda... =/ Nada contra, mas é que eu amo ele, quero o bem dele...". Esse "nada contra" do texto dela é perigosíssimo, porque, na verdade, o que se está dizendo é "tolero crenças diferentes das minhas, desde que eu e aqueles com quem me importo não tenhamos que nos relacionar diretamente com elas". Essa pessoa talvez não saiba que é preconceituosa. Mas é. Muito. Extrapolando o exemplo: são pessoas assim que acham normalíssimo e democrático construir muros para isolar as favelas (não pagam iptu mesmo) e cobrar fortunas para entrar em estádios de futebol (ora, não tem lugar pra todo mundo). São pessoas assim que, em breve, vão lutar para que o carnaval do Rio de Janeiro seja feito com abadás (ninguém quer ficar no calor, longe do bloco, né?). Sobre esse tema, sugiro excelente texto de Luiz Antonio Simas: A síndrome de Neuendorf e a direita raivosa.

Tive a sorte de ser criado para entender que as palavras de um preto-velho eram tão importantes quanto as de um professor em sala de aula. E foi um desses guias que uma vez me ensinou que há beleza nas coisas simples, que há beleza até na tristeza, mas não há nenhuma na raiva, no ódio; me ensinou que caráter não se mede em livros, mas que eles também são importantes para nos ajudar a pensar o mundo, as pessoas e, com isso, buscar uma vida mais leve; me ensinou curimbas que marejaram meus olhos, como Dante e Beatrice um dia também o fizeram; me ensinou que nem sempre pedra é pedra e que mesmo a miudinha pode ser imensa. Sabedoria imensa.

De minha parte, portanto, cabe sempre lutar para que as minhas raízes sejam preservadas, difundidas e respeitadas. Tenho, no coração, meu pai Oxóssi de mãos dadas com Fernando Pessoa e garanto: desse conluio só consegui extrair coisas boas. Meu coração é também preto, como em verdade é o de todo brasileiro. Como me disse uma vez mestre Simas: "somos homens de bem, e não temos vergonha do nosso povo".

Neste dia de Zumbi, convite à reflexão, termino este arrazoado com as sábias palavras do grande Solano Trindade, poeta negro, poeta do povo brasileiro, dos grandes da nossa raça: "Quem me ouvir, ouça!"

Apesar de tudo que tenho ouvido e lido sobre poesia, resultado das teses e debates nos congressos de poetas e críticos - não me sinto disposto a mudar de linha, de sair do caminho popular de minha poética.

Sem querer discutir o valor dos herméticos “concretistas”, “neo-concretistas”, “dadaístas”, etc (eruditos donos da cultura ocidental), prefiro levar ao meu povo uma mensagem, em linguagem simples, em vez de uma mensagem cifrada para um grupo de intelectuais.

Tenho pelos homens de cultura uma grande simpatia, sejam modernos ou acadêmicos; tenho aprendido muito com todos eles, através dos seus livros e das suas conversas, porém, a minha poesia continuará com o estilo do nosso populário, buscando no negro o ritmo, no povo em geral, as reivindicações sociais e políticas, e nas mulheres, em particular o Amor.

Agradam-me profundamente os títulos de “poeta negro”, “poeta do povo”, “poeta popular”, às vezes ditos de modo depreciativo - mas que me dão uma consciência exata do meu papel de poeta na defesa das tradições culturais do meu povo, na luta por um mundo melhor. Unir o Universal ao Regional, num poema participante ou amoroso, num verso de protesto ou ternura - mas em palavras bem compreensíveis.

Quem me ouvir, ouça.
Eu canto aos Palmares
sem inveja de Virgílio, de Homero e de Camões
porque o meu canto é o grito de uma raça
em plena luta pela liberdade!

(Solano Trindade. São Paulo, julho de 1961)


16 de nov de 2010

A arte imita a vida

Um dos grandes males a serem vencidos no mundo de hoje é a intolerância.

Abaixo, seguem dois vídeos. O primeiro é do comediante Marcelo Adnet, que satiriza um comportamento elitista e preconceituoso. O segundo é de um jornal transmitido pela RBS/TV Globo de Santa Catarina. Não é comédia.

Engulhos e mais engulhos.



(dica de @IlustreBOB)

30 de out de 2010

Última declaração de voto antes de domingo


Não tenho vergonha nenhuma de ser um cabra que se toma pela emoção com a maior facilidade do mundo. Vou às lágrimas com uma frequência espantosa, pelas razões mais improváveis. E acredito firmemente que, dentre as tantas coisas que unem brasileiros de todos os rincões deste monumental país, uma delas é essa capacidade linda que nós temos de reconhecer a beleza e de nos misturarmos a ela.

Somos, orgulhosamente, um povo de paz, que antes brinca e zomba que ataca e odeia; um povo de alegria, que reconhece nas suas festas, cantos e danças a mais legítima expressão de sua própria identidade; um povo de tolerância, que é singular exatamente porque é plural; um povo de luta, que sabe admirar aquele que está ao seu lado e que nunca quer ver um companheiro sem condições de aproveitar consigo os prazeres que a vida dá.

Isso, deixemos claro, não significa assumir um espírito condescente ou adotar uma hipócrita postura de superioridade caridosa. É que, diferentes de outros povos, de outras terras, não sabemos ser sós. 

Precisamos estar em contato com o outro e precisamos que o outro possa estar em contato conosco e, por isso, constantemente enchemos estádios e ruas e bares e terreiros e igrejas e redes sociais. É, talvez, a maior contribuição da nossa gente pra roda-viva do nosso tempo: precisamos um do outro pra festa ser completa e pros céus nos darem a bênção.

Lula, nestes últimos oito anos, e Dilma, nos próximos que virão, tornaram e vão continuar tornando essa nossa festa mais completa. 

Apesar das dezenas de postagens com números, análises, resenhas e dados aqui deste blogue, meu voto amanhã não tem outra razão senão esta: preservar o meu direito de reconhecer, no Brasil, o Brasil de verdade.

17 de out de 2010

Dois projetos radicalmente diferentes

Texto do professor Durval Muniz de Albuquerque Júnior, presidente da Associação Nacional de História, sobre as eleições presidenciais. Publicado em Carta Maior.

Estamos num momento decisivo da vida brasileira, onde qualquer omissão pode ser imperdoável. Eu, que faço parte da parcela ainda privilegiada de brasileiros que conseguiu concluir um curso superior e fazer uma formação pós-graduada, não ficaria com a consciência tranqüila se não viesse a público, neste momento, com o uso daquilo que sei fazer: refletir, pensar, para tentar contribuir no sentido de dar um mínimo de racionalidade a um processo eleitoral que, muito pela influência de determinados setores da mídia, mas infelizmente também com a participação decisiva de candidaturas como a de José Serra e Marina Silva, descamba para se tornar uma discussão obscurantista, rasteira, mistificadora e preconceituosa, sobre temas e aspectos nomeados genericamente de “valores”, que interessam de perto aos setores mais conservadores e retrógrados da sociedade brasileira, fazendo ressuscitar dos porões das almas, das mentes e do interior da sociedade forças e subjetividades microfacistas.

Dirijo este texto àqueles que fazem parte como eu desta parcela letrada da sociedade, notadamente, daqueles alojados no interior da Universidade, e que, para minha surpresa e decepção, vêm manifestando a intenção de votar em José Serra no segundo turno das eleições. Como estou escrevendo para pessoas que julgo estar sob o império da racionalidade, nem me vou ocupar de rebater os motivos e argumentos apresentados para não se votar em Dilma Rousseff, em uma das campanhas mais sórdidas, mais caluniosas, injuriosas e preconceituosas já levadas a efeito no país, com a participação decisiva do candidato Serra e da mídia golpista que o apóia, a mídia que medrou e engordou durante a ditadura militar, campanha só comparável àquela de 1989, que levou ao poder o queridinho das elites brancas da época: o caçador de Marajás, Fernando Collor, (e todos sabem no que resultou aquela aventura amparada em retórica e práticas tão farisaicas, despolitizadoras e moralistas como as que embasam a atual candidatura tucana).

Embora pareça que para estes meus colegas, de estômagos fortes, não causa repugnância e náusea uma candidatura que explora e incentiva o tradicional desapreço e desprezo das elites brasileiras pelos nossos vizinhos da América Latina, pelos africanos e pelos asiáticos (o que fica demonstrado pelos ataques do candidato ao Mercosul, à Unasul, a chefes de Estados de países vizinhos democraticamente eleitos, alguns deles pertencentes a grupos historicamente excluídos naqueles países.

Na crítica à política externa do governo Lula mal se disfarçam a xenofobia e o racismo de nossas elites que sempre se julgaram brancas e sempre tiveram os olhos voltados para os Estados Unidos e para a Europa, onde na verdade sempre sonharam em viver; a política externa de FHC, onde o presidente falava inglês e o chanceler como um lacaio tirava os sapatos para passar nas alfândegas dos países desenvolvidos mostra bem isso); uma candidatura que explora o preconceito contra as mulheres, candidatura sexista, machista e misógina, que claramente tenta desqualificar o lugar da mulher na política e que utiliza a velha tática de pôr em suspeita a sexualidade de toda mulher que ousa desafiar os lugares reservados aos homens (com a conivência de inúmeras mulheres ditas independentes e feministas entronizadas como comentaristas na mídia, como Maitê Proença que chegou a convocar os “machos selvagens” para nos livrarem de Dilma; ressalte-se ainda o silêncio cúmplice de grandes lideranças intelectuais e políticas feministas ligadas ao PSDB, que deixo de nomear por respeito às suas trajetórias, que não deveriam necessariamente votar em Dilma, mas se posicionarem veementemente contra o tipo de campanha que faz o seu partido.

Este silêncio poderá custar caro à muitas conquistas feitas pelas mulheres. Me pergunto como pode ser que intelectuais deste quilate possam estar silenciosas diante do uso aético e mistificador da questão do aborto pelo candidato tucano, será que uma vitória eleitoral compensa a perda de uma reputação construída durante anos na luta das mulheres?

Ainda está em tempo de romperem o silêncio!); uma candidatura que explora e acirra o preconceito contra os homossexuais ao espalhar em emails apócrifos e criminosos na internet a suspeita de que Dilma seria lésbica (e qual o problema se fosse, sabemos com que órgãos de seu corpo ela exercerá a presidência); uma candidatura que açula o preconceito contra o pobre e o nordestino, que como sempre são tomados pelas nossas elites de classe média como aqueles ignorantes, que não sabem votar, que votam com a barriga e não com o cérebro, mesmo que estejam votando por defenderem a continuidade do governo que de longe foi o que mais beneficiou estas duas populações (porque votar em defesa do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida, é menos racional que votar em defesa dos lucros exorbitantes conseguidos pelos beneficiários do processo de privatização, inclusive os grandes grupos de mídia e do banqueiro que aposta sempre no Meu Banco, Minha Vida?); uma candidatura que faz das mentiras mais descaradas e das promessas mais fajutas a sua apresentação (toma para si feitos dos outros, copia programas das outras candidaturas, promete fazer o que sempre fez diferente quando esteve no poder).

Claro que não vou perder meu tempo discutindo com vocês, que até agora não vomitaram e ainda continuam convictos do voto em Serra, argumentos de enorme racionalidade para não se votar em Dilma como: ela é um poste, ela matará criancinhas (repaginação sofisticada por Mônica Serra, como costuma ser toda repaginação de quem veste Daslu, a honesta Daslu, de conhecido enunciado anticomunista), ela roubou um banco, ela é assassina, ela vai fechar as igrejas, ela acabará com a liberdade de imprensa e outros argumentos ainda mais sofisticados como: “eu não fui com a cara dela”.

Por respeito a vocês todos que acho não seriam capazes de acreditar nestas baboseiras, passo a tratar de uma única justificativa que me pareceu racional, apresentada para o voto em Serra: o sucesso do governo Lula, que todos admitem, até mesmo o candidato Serra que subiu na sua garupa em plena propaganda eleitoral gratuita, teria se dado por este continuar o modelo de gestão perfeito e vitorioso do príncipe dos sociólogos Fernando Henrique Cardoso (há longo email na internet defendendo este ponto de vista racional e respeitável), embora este tenha sido escondido sistematicamente das campanhas do PSDB desde que deixou a presidência seguido de um sentimento de alívio nacional e já vai tarde na maioria de corações e mentes, até nos de muitos dos que hoje esquecidos ou arrependidos tentam salvar o seu legado e resolvem votar em seu candidato.

Como sou historiador, e este profissional tem como ofício ir ao passado para justamente olhar o presente de outra perspectiva, vou lançar mão de alguns traços da história do pensamento econômico no Brasil para tentar convencê-los de que no dia 31 de outubro estarão em confronto dois projetos radicalmente diferentes de país, duas maneiras distintas de interpretar e entender a sociedade brasileira, sua história, sua dinâmica econômica e social, formas radicalmente distintas de pensar a inserção do Brasil no capitalismo globalizado, nas relações internacionais, formas distintas de pensar a dinâmica do desenvolvimento e o papel que o Estado e as distintas classes e grupos sociais desempenharão neste processo.

E quando digo ser radical é justamente porque, como sabemos, radical é algo que se dá desde as raízes, desde suas matrizes teóricas e políticas. Pretendo mostrar que Serra e Dilma representam projetos bastante distintos para o país, porque PSDB e PT representam formulações teóricas distintas da realidade brasileira. Como estamos diante de dois candidatos que não despertam muitas paixões, talvez possamos ter discussões mais racionais, desde que se esteja disposto a se explicitar o projeto que cada um representa (além de representar sua enorme ambição pessoal, seu projeto de ser Presidente da República, de fazer parte da galeria de nossos Presidentes, sonho que ele já realizou, pelo menos na propaganda eleitoral e espero que só lá; Serra representa um projeto de governo que não pode explicitar, que não pode revelar sob pena de não ser eleito, por isso ele protocolou como programa de governo no TSE um discurso, mesmo assim tendo a candidatura deferida: por lá também os amores serristas parecem ter se intensificado, até com trocas de telefonemas amáveis).

Para entendermos o jeito PSDB de governar temos que entender as matrizes teóricas que sustentam suas ações. É inegável que o intelectual orgânico, para usar um conceito caro a Gramsci, deste partido é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, intelectual respeitado mundialmente.

Emir Sader já perguntou perplexo uma vez: o que pensa o Serra? Ninguém sabe, ninguém viu. O hoje elevado a condição de elite das elites, o guia das “massas cheirosas”, segundo a Catanhede, que se saiba nunca teria concluído os cursos de graduação que diz ter e sua Tese de Doutorado, da qual voltarei a falar, anda desaparecida da única biblioteca em que está depositada (por que será que o vaidoso Serra nunca traduziu e trouxe a lume sua obra máxima?).

Ele passou oito anos no governo FHC, exercendo diferentes cargos, sempre aparecendo na mídia como estando à esquerda no partido, como crítico de Malan, como alguém que criticara o Plano Real, mas jamais escreveu algo sobre isto e no governo permaneceu.

Como gestor de mandatos nunca concluídos, não foi capaz de imaginar uma política pública, um programa de governo que possa se dizer original e criativo, se notabilizando mais por desmontar e destruir o que vinha sendo feito antes, até mesmo pelo seu companheiro de partido Geraldo Alckmin (pensem nisso amigos queridos, se duvidarem de mim, pesquisem sobre o desmonte dos programas sociais e educacionais deixados pela Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo). Não é preciso dizer dos inúmeros prêmios internacionais recebidos por diferentes gestões do Partido dos Trabalhadores em municípios, Estados e agora nos dois governos Lula por imaginar e criar inovadoras políticas públicas (se duvidarem, pesquisem: só o Presidente Lula já ganhou até agora mais de duzentos prêmios internacionais, há um site não nacional que se dá o trabalho de arrolá-los todos).

Mas como dizia é no pensamento de FHC que devemos buscar as raízes das propostas pessedebistas para o país. É na Teoria da Dependência, da qual Fernando Henrique foi um de seus formuladores, notadamente na corrente chamada de weberiana, que rivalizava com a chamada corrente marxista encabeçada por Theotônio dos Santos e Ruy Mauro Marini, que devemos buscar o entendimento de como o PSDB vê o país e seu povo, inclusive sua classe empresarial, já que, como sabemos, Cardoso se dedicou a fazer uma sociologia do empresariado brasileiro, de seu comportamento e pensamento.

A Teoria da Dependência surge no início dos anos sessenta, diante da crise crescente apresentado pelo modelo nacional-desenvolvimentista de matriz cepalina que esteve na base da política econômica de governos tão díspares e que a realizaram com ênfases distintas como os governos Vargas, Juscelino Kubsticheck e João Goulart.

Quando uma vez na Presidência da República, Fernando Henrique se propôs a enterrar a era Vargas, ele estava realizando o projeto da Teoria da Dependência que criticava algumas formulações básicas do pensamento cepalino e neoclássico, que na versão henriquiana se afastava também das leituras marxistas tanto vindas do pensamento da CEPAL, quanto no interior da própria Teoria da Dependência, propondo assim o desmonte do Estado nacional-desenvolvimentista e populista, fantasmas que são brandidos hoje pelos economistas e “experts” de plantão convocados pela mídia, que estariam sendo reabilitados pelo governo Lula. Em entrevista com Dilma, Miriam Leitão chegou a comparar o que seria o nacional-desenvolvimentismo de Lula com a política econômica da ditadura militar. Como disse sutilmente Dilma: a Leitão sempre ouve o galo cantar mas não sabe aonde.

É inegável que as formulações econômicas, mas também sociais e políticas do governo Lula têm a sua matriz no pensamento nacional-desenvolvimentista cepalino, mais precisamente no pensamento do maior economista brasileiro, o paraibano Celso Furtado, por quem Lula sempre teve uma admiração quase devocional. Como sabemos Celso Furtado se manteve ativo, produzindo e participando diretamente da vida política brasileira até pouco tempo antes de sua morte.

Seu pensamento passou por reformulações e ajustes, mas manteve uma espinha dorsal que, como tentaremos deixar claro, é a própria espinha dorsal do projeto que hoje a candidatura Dilma assume e que queremos ver continuar com ela. É preciso ainda chamar atenção para dois aspectos relevantes: o atual Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que foi mesmo dentro do PT identificado como um nacional-desenvolvimentista, dedicou seu trabalho de doutorado a estudar o pensamento de Celso Furtado e, é preciso lembrar ainda, que Dilma Rousseff começou a sua militância administrativa no Rio Grande do Sul, ligada a um governo do Partido Democrático Trabalhista, encabeçado por Leonel Brizola, muito próximo das formulações nacional-desenvolvimentistas.

A grita e o arreganho de dentes, sem pejos, da mídia neoliberal no Brasil se deve ao fato desta identificar em Dilma não uma mera continuidade, mas um aprofundamento da visão nacional-desenvolvimentista em seu governo em relação ao governo Lula. A acirrada querela em torno dos destinos da Petrobrás, empresa símbolo das conquistas que o nacional-desenvolvimentismo de inspiração cepalina trouxe para o Brasil, assim como em torno dos destinos dos financiamentos do BNDES, que não podemos esquecer teve como seu formulador e primeiro Presidente Celso Furtado, torna claro que o que está em jogo nestas eleições não é a religiosidade ou não da Dilma, sua sexualidade, sua experiência administrativa ou seus “valores”, são de “outros valores de que se trata” (como a Marina e seus seguidores verdes, pelo menos os sinceros, foram cair numa armadilha dessas, como podem manchar uma trajetória de vida e política de anos se colocando a serviço de forças e interesses que parecem desconhecer, tudo por causa de quinze minutos de fama na Rede Globo, que a teria triturado com os mesmos argumentos vis e baixos com que faz com Dilma se ela efetivamente tivesse viabilidade eleitoral).

Pecado mortal de Furtado e de Lula, ambos olharam para o Nordeste, ambos são filhos deste rincão enjeitado do país, onde medra uma das piores elites políticas desta terra, ambos não abriram os olhos no planalto paulista, onde luminares como Otavinho Frias e a família Mesquita distribuem a agenda para o país, em consonância com um partido que nunca lançou uma candidatura que não seja paulista, deixando claro a falta de visão de Brasil que os assaltam, como assaltava à Teoria da Dependência. Formulador da SUDENE e seu primeiro superintendente, Furtado sempre apostou no Estado como indutor de uma política de industrialização capaz produzir o desenvolvimento apesar da dependência externa.

Sabemos que desde que FHC aderiu às teses neoliberais, pois estas já estavam em germe em seu pensamento, como deixaremos claro a seguir, a crítica a esta centralidade do Estado, de seu papel como indutor de políticas cambiais, fiscais, de investimento, de distribuição de renda, de combate às desigualdades regionais e sociais, que alavancassem um desenvolvimento endógeno do capitalismo brasileiro, será a pedra de toque do discurso econômico do PSDB, por isso mesmo se aliando a um partido de extrema direita, o antigo PFL, agora DEM, com vagas formulações liberais, um baluarte na luta pelos interesses dos grandes grupos privados nacionais e internacionais em detrimento dos interesses nacionais.

Desmontar o Estado, desmontar as empresas duramente criadas e conquistadas à duras penas com a acumulação de capital realizada pelas políticas nacional-desenvolvimentistas passou a ser a obsessão dos governos do PSDB, tendo em Serra um dos maiores entusiastas, a abrir seu sorriso cheio de gengiva sempre que batia um martelo e entregava o produto de anos de suor dos trabalhadores brasileiros para os capitais nacionais e internacionais, muitos de duvidosas origens, outros sendo agraciados com ajudas vultosas do BNDES para comprarem com dinheiro público e privatizarem o que era público.

Tanto a Teoria da Dependência, quanto a Teoria do Desenvolvimento, elaborada pelos cepalinos, revista e aperfeiçoada por Furtado, concordavam em superar a visão apenas sistêmica e baseada no equilíbrio de fatores da economia neoclássica. Ambos por vias distintas, vão aliar as reflexões econômicas com reflexões sobre as estruturas e relações sociais no país e o papel da política e do Estado na gestão da economia. Podemos dizer que ambas refletem o impacto que representou o pensamento keinesiano para o campo econômico, e sua capacidade de formular as políticas públicas que retiraram os EUA e o restante do mundo da crise sistêmica de 1929.

Só que ambas divergem num ponto fulcral, notadamente na versão weberiana encarnada pela obra de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto: ambas concordam que o subdesenvolvimento é produto do próprio desenvolvimento do capitalismo, que se dá desigualmente gerando um centro e uma periferia do sistema, que tende a reproduzir subordinadamente a dinâmica que é dada pelas economias centrais e seus modelos. Ambas concordam na possibilidade de haver desenvolvimento mesmo na periferia, de haver desenvolvimento apesar da dependência e da subordinação, mas divergem frontalmente de como isto seria possível.

Nesta divergência estão as raízes das divergências entre as políticas não só econômicas, mas sociais, de relações internacionais, de alianças políticas, de formulação de políticas públicas que estão representadas nas candidaturas Serra e Dilma. Na Tese de Doutorado que defendeu nos EUA, Serra teria criticado a política econômica do governo Allende do qual participara, com Allende já morto e deposto pelo golpe de Estado apoiado pelo governo americano (Serra parece adorar criticar os governos de que participa, pois quem conhece a peça sabe de sua megalomania e de sua vaidade infinita, além de que, aqui, amigos, merece uma parada para reflexão: como é que alguém que serviu ao governo Allende vai parar nos EUA e é recebido pelo governo que patrocinou o golpe no Chile, terá sido para Serra escrever o que escreveu?).

A crítica se centra não apenas no combate ao pensamento cepalino, esposado ainda por setores presentes no governo chileno, como no combate a Teoria da Dependência em sua versão marxista, que não acreditava ser possível haver desenvolvimento nos países periféricos sem a derrubada revolucionária do capitalismo. Talvez a mistura explosiva do reformismo cepalino com o revolucionarismo daqueles que pensavam diferente de FHC, que sempre descartou a necessidade de uma revolução socialista para que o desenvolvimento se fizesse na periferia do sistema, tenha levado ao desastre da política econômica de Allende atacada na Tese do aspirante a Presidente da República pelo PSDB. Talvez assim possamos entender porque Lula e sua política econômica já foi chamada por grandes luminares da imprensa e da vida parlamentar de bolchevista e até de albanesa (seriam ilários, se não fossem tão primários).

A diferença matricial entre as duas posturas gira em torno da possibilidade de um desenvolvimento capitalista, porque é disso que se trata, não de revolução ou bolchevismo, feito na periferia, colocando como centro do processo a aliança estratégica entre empresariado nacional, Estado e classes trabalhadoras por um lado e os setores externos por outro, aquilo que FHC andou chamando de mexicanização, venezualização, retorno do peronismo (como usa bem e precisamente as categorias nosso sociólogo).

Para as formulações cepalinas lá dos anos cinqüenta, com seu nacionalismo típico da época, as forças externas eram encaradas como obstáculo ao desenvolvimento do país, assim como as forças internas a eles aliadas como os setores agrário-exportadores. Mesmo reformulando mais tarde estas ideias, Furtado mantém a opinião que o processo de desenvolvimento, em países como o Brasil, deve ter como motor as forças econômicas, sociais e políticas nacionais, que saibam inserir o país na economia global, mas tendo seus interesses estratégicos sempre à frente e bem definidos.

Para ele, o Brasil tinha um enorme potencial de crescimento endogenamente gerado por seus amplos recursos naturais, por já ter internalizado e desenvolvido o processo de industrialização, devendo ampliar bases técnicas, tecnológicas e educacionais próprias, o país já possuía a enorme potencialidade de um grande mercado consumidor de massas, bastando para isto que fossem prioritárias em qualquer política econômica a ênfase em mecanismos distributivos de renda e de redução das desigualdades regionais.

O governo Lula e o sucesso reconhecido mundialmente, até pelos órgãos de imprensa econômica mais conservadores, de sua política econômica, aliada a políticas sociais de distribuição de renda, como o Bolsa Família e a política de valorização do salário mínimo, provou que as teses de Furtado estavam certas. Foi por ter criado um mercado de consumo de massas no Brasil, com a ascensão de parcela significativa da população para as classes médias e a retirada de outras tantas da linha da pobreza absoluta que o Brasil pode enfrentar e vencer rapidamente, com suas próprias forças, a grave crise que vivem os países centrais do capitalismo.

A Teoria da Dependência de FHC nunca acreditou na possibilidade de se fazer o desenvolvimento sem que a direção do processo se desse nos próprios países centrais do sistema. Avaliando como sociólogo a mentalidade empresarial brasileira, FHC sempre foi pessimista em relação a esperar das forças nacionais o nosso necessário desenvolvimento.

Daí por ser um crítico de primeira hora das ideias cepalinas que vêem o elemento externo como obstáculo ao desenvolvimento nacional, que dá imediatamente enorme audiência ao seu discurso no mundo e, por incrível que pareça, entre nossa elite empresarial que parece ter aceitado com gosto e alegria o lugar menor e subalterno que o pensamento da dependência lhes reservava, talvez porque sempre no fundo se sintam não pertencentes ao país, mas estrangeiros em sua própria terra.

Estas formulações da Teoria da Dependência mal disfarçam que requentam teses já bastante gastas entre nossas elites letradas da incapacidade de nosso povo para a civilização, para o progresso, para o trabalho livre, para o desenvolvimento. Nas formulações pessedebistas há clara desconfiança em relação ao nosso povo.

Esta é uma diferença crucial entre Dilma e Serra; Dilma acredita que nosso povo, se estimulado, se receber crédito, se receber salário, se lhe forem dadas condições educacionais e de renda, tem condições de construir um país soberano, capaz de traçar suas próprias estratégias, sem que para isso tenha que se fechar ao mundo, mas tendo uma visão alargada do próprio mundo, não vendo nele apenas o Norte, mas enfatizando a diversificação dos mercados e das relações políticas, diplomáticas e culturais, enfatizando as relações Sul-Sul, tornando o Brasil um país capaz de ajudar a impulsionar o desenvolvimento dos seus vizinhos e países assemelhados ou em níveis piores de pobreza e desenvolvimento humano. Mas se muitos luminares do PSDB não querem que se seja solidário nem no interior da nação, como mostram as políticas predatórias, a guerra fiscal movida covardemente pelo Estado mais rico da nação contra os menores Estados, e a implicância histórica serrista com a Zona Franca de Manaus.

Foi a Teoria da Dependência que inspirou já o primeiro programa econômico apresentado por um candidato tucano a concorrer à Presidência da República. O “choque de capitalismo”, prometido por Mário Covas em 1989, foi finalmente realizado por Fernando Collor e continuado nas duas gestões de FHC e se mostrou efetivamente chocante para a sociedade brasileira. A ideia de que seria expondo os setores da economia brasileira à concorrência externa, abrindo a economia para os fluxos de capital internacionais, privatizando os setores estratégicos dominados pelo Estado e os entregando a moderna gestão empresarial internacional, que se faria o país desenvolver-se, se modernizar, palavra mágica para a Teoria da Dependência henriquiana, se torna o centro das políticas econômicas do PSDB. A concorrência externa também afetaria as relações de trabalho e emprego, as modernizaria, levando a ruína à estrutura burocrático-estatal montada pelo nacional-desenvolvimentismo.

Acompanhada de políticas austeras de gastos públicos, com a redução do Estado, com a modernização e desburocratização da máquina pública, aliada ao combate à inflação, teríamos garantido o desenvolvimento sustentável, aquele que, como vimos, só dava para sustentar os privilegiados de sempre e aos novos que chegaram como um enxame de vespas no lastro do processo de privatização. Ao final, o brilhante resultado desta política, que dizem que Lula apenas continuou, pinçando aspectos menores da política econômica anterior (política de metas de inflação, de superávit primário, de contingenciamento de recursos do orçamento, política de câmbio flutuante, que se esquecem os serristas que só foi adotada depois do desastre provocado pela política de câmbio fixo e Real supervalorizado do pucboy Gustavo Franco, política que empobreceu grande parte do país, mas gerou superlucros nos setores exportadores, principalmente agroexportadores que são eternas viúvas de FHC, como mostra mais uma vez as vitórias serristas em Estados como MT, MS, PR, SC e SP, que se dane a maioria, se a minoria de sempre lucra e muito, está ótimo) que foram mantidos mas subordinados a uma lógica macroeconômica diversa: o país quebrou três vezes, a cada crise econômica em um país lá fora, pois sua economia foi atrelada e completamente exposta às vagas do capital financeiro internacional, fazendo o país acumular uma criminosa dívida em moeda estrangeira, dívida que o governo Lula tratou de reconvertê-la em moeda nacional, garantindo maior soberania sobre as contas internacionais; a quebradeira de setores inteiros da indústria nacional, com o desemprego e a falta de esperança sendo tônica de todo o período, (se reconhecemos que outros setores se dinamizaram como o de telefonia com a privatização, o de energia resultou no apagão histórico de FHC, pois o Estado deixou de investir), o arrocho salarial entre o funcionalismo público, a terceirização e precarização dos serviços se ampliaram, piorando a vida dos mais necessitados do Estado; para os das classes médias que não precisam dos serviços públicos ficou o deslumbramento das novas marcas estrangeiras nas vitrines e dos novos modelos de carros importados e celulares, agora todos se sentiam globais, viviam em Miami, a festa para poucos era geral.

As estradas viraram só buracos, com a exceção daquelas privatizadas, como as do Estado de São Paulo, entregues a grupos privados em troca do melhor preço no ato da concessão e não do menor pedágio, tal como feito no governo Lula, estratégia pensada por Dilma – basta comparar os preços dos pedágios do PSDB e do PT e se notará o jeito diferente de governar, pois se governa para outros grupos sociais, não é para as classes médias apenas, mas principalmente para incluir os mais pobres.

As estradas de ferro sucateadas, a indústria naval e a indústria bélica desmontada, a aeroespacial privatizada. Os brasileiros mais pobres começam a se submeter a migrarem até para o Japão em busca dos empregos que a Petrobrás gerava lá ou na Austrália. Amparada em ampla campanha midiática, que buscava desmoralizar a grande empresa estatal brasileira, o esvaziamento econômico e técnico da Petrobrás preparando para privatizá-la, levou ao trágico acidente do afundamento da Plataforma P-36 (o mesmo governo que não fora capaz de fazer a avançada tecnologia de uma caravela navegar, coisa que os portugueses, tidos em tão baixa conta, já o havia feito desde o século XIV, afundavam uma plataforma e com ela pretendiam afundar a Petrobrás) tal como ocorre agora com os Correios, que sofre inegável campanha de desmoralização, na esperança de que seja a primeira jóia da coroa que Serra, uma vez eleito, leiloará para que assim como na privatização da telefonia se candidatem a OESP, a Globopar, a Folha da Manhã, o Grupo Abril, que tantos esforços fazem em eleger seu candidato do coração e do bolso.

Para concluir, pois já me estendi além da conta, para que vocês meditem bem sobre o passo que darão ao entregar o país a um homem como José Serra, que a mídia que ele financia com dinheiro da educação, enquanto trata os professores de São Paulo a cacetetes e bombas de gás lacrimogêneo, diz ser o mais competente e preparado, convido vocês a ir ao Youtube e assistir um vídeo de uma entrevista dada por Serra ano passado, quando do auge da crise econômica, ao jornalista serrista e de conhecida história de adesão à extrema direita Boris Casoy, onde Serra aparece indisfarçadamente eufórico, com a possibilidade que a crise viesse acabar com a popularidade do governo Lula e facilitar as coisas para ele este ano.

 

Para que sua vontade pessoal de ser Presidente se efetive, como bem diz Ciro Gomes, Serra pisa até no pescoço da mãe, e é capaz de torcer contra o país, que a população venha sofrer este não é um problema para ele, postura que parece ser de muitos de vocês companheiros que resolveram votar em Serra, desde que suas razões particulares justifiquem um voto que pode significar o retorno à miséria de amplos setores da sociedade brasileira, mas vocês têm este direito, votem e depois durmam o sono dos justos.

Mas esta entrevista explicita o desastre que teria sido se ao invés de Lula, de Mantega, das formulações furtadianas que eles representam, fosse o ninho tucano e sua teoria da dependência (dependência ao Norte, diria o pândego e arguto Paulo Henrique Amorim) que estivessem no poder. Serra, do alto de sua sabida arrogância e prepotência, tratou logo de desqualificar todas as medidas tomadas pelo governo Lula, com o riso cúmplice e hiênico do Casoy que arrematou que Lula estava fazendo diferente do que todo mundo estava fazendo nos países centrais do capitalismo (que petulância, como pode discordar do centro), ridicularizaram a fala do Presidente de que aqui a crise seria uma marolinha, e seria sim pois os fundamentos da economia brasileira eram outros bem diferentes da era FHC: tínhamos acumulado grande quantidade de reservas internacionais, ao contrário de perdê-las como com FHC, havíamos nos livrado do monitoramento e das restrições impostas pelos acordos com os organismos internacionais, havíamos pago a dívida com o FMI e Clube de Paris e Lula e Mantega não precisavam mais chamar a Brasília a senhora da mala do FMI a cada vez que se precisava tomar uma decisão em matéria de política econômica, industrial, cambial, financeira, salarial, etc, ou seja, Teoria da Dependência gera o que a nomeia, não duvidem.

Serra pomposo dizia: como reduzir impostos agora que todos os Estados querem preservar seu poder de investimento, como aumentar salários agora que eles tenderão a cair, como ampliar investimento no momento em que a arrecadação vai declinar. O sábio, o preparado Serra fez em São Paulo, o que faria no Brasil, aumentou impostos em plena crise, arrochou como sempre os salários (pergunte a um delegado de polícia de São Paulo o que ele acha do salário dele e porque o PCC só cresce), suspendeu investimentos, privatizou a Nossa Caixa, única empresa estatal que restava, rapidamente adquirida pelo governo federal através do Banco do Brasil, que saiu assim fortalecido da crise.

Quando viu o sucesso da política de Lula que, acima de tudo, conta com aquilo que Serra não tem e nunca vai ter: carisma e popularidade, indo a televisão convocar todos a continuar consumindo, explicando como só ele sabe fazer para a população porque era preciso manter o ciclo virtuoso da economia e não se deixar contaminar pelas nuvens negras profetizadas pelos urubólogos e urubólogas serristas de plantão na mídia e pelos próprios partidos da oposição, correu para copiar algumas medidas tomadas pela equipe econômica que ele havia chamada de inepta, que não tinha a brilhante trajetória de gestor econômico que ele tem.

Façam isso, por favor, assistam a este vídeo, e se ainda assim quiserem entregar o Brasil a Serra, que o façam, mas minha consciência estará tranqüila, tentei fazer um esforço em alertá-los. Eu e o Brasil esperam que mudem de opinião e ele não vença, se mesmo assim ele vencer vou torcer para que eu não venha a me divertir tanto quando encontrá-los, quanto me diverti meses após a posse de Collor, vendo os meus colegas coloridos que haviam votado no caçador de marajás e não no sapo barbudo com medo de perderem suas poupanças, reduzidos a CR$ 50,00 em suas contas. Assim como Collor, Serra sempre faz o que diz que não vai fazer, tenham cuidado.

Abraço carinhoso a todos e um feliz e refletido voto para vocês e para o Brasil.

(colhido aqui)

13 de out de 2010

Interlúdio

Nos próximos dias, não devo conseguir escrever nada por aqui. Nesse breve interlúdio, deixo, traduzido em vídeo, o poema "Dance, monkeys, dance!", do americano Ernest Cline

Em tempos de intolerância religiosa, política e social, vale muito pensar uns bons minutos nele. 

Abraços!

5 de out de 2010

Marina, morena

Que Marina Silva é uma das grandes mulheres que este Brasil já viu na política não há dúvidas. Que ela é um símbolo de superação e de entrega a nobres ideais também não há: seu nome, como o de Chico Mendes, estará para sempre ligado à luta pela preservação da floresta amazônica e à relação sustentável com o meio ambiente. Em reconhecimento a esse projeto, foi deputada pelo Acre, depois senadora e ministra, por sete anos, do Governo Lula.


Em toda sua trajetória, Marina foi uma potente voz contra as oligarquias que, em todo o país, instalaram o paradigma da exclusão social. Analfabeta até os 16 anos, sabe o valor da educação formal, mas sempre deixou claro que isso não é, de forma alguma, sinônimo de consciência política ou de capacidade de administração pública.

Seu discurso sempre foi a favor dos mais pobres, pelo fim da miséria e pela justa distribuição de renda. Não foi, portanto, por divergências em relação a amplos projetos ideológicos que Marina deixou o Governo Lula e o PT. Não foi também por denúncias de corrupção (que ela, como ministra, também enfrentou) que Marina decidiu buscar um projeto político próprio. Também não foi sua posição religiosa que a fez entrar em desacordo com as propostas deste governo. A sua ruptura tem a ver, sobretudo, com uma política de meio ambiente que é, de fato, controversa: a da conciliação entre preservação e desenvolvimento.

A posição de Marina pode e deve ser ouvida: ela estabelece um contraponto produtivo à política do Governo Lula, que, a meu ver, pode sim ser repensada. Ela mesma, todavia, entrou em conflito enquanto dona da pasta; conflito tão grande que o candidato Plínio Sampaio, por exemplo, chamou-a de eco-capitalista no primeiro debate presidencial de 2010, na Band.

Apesar disso, a discussão que ela propõe é importantíssima para o futuro do país. Esse tópico, no entanto, não deve apagar a convergência óbvia entre a sua visão de mundo e a daqueles que hoje apoiam Dilma para a sucessão do Governo Lula.

O próprio candidato José Serra declarou a ela, quase ao final do último debate, realizado pela Rede Globo:

“Não use a sua régua para medir os outros. Se eu fosse usar a minha régua, eu diria que você e a Dilma têm muito mais coisas parecidas que qualquer outro candidato aqui. Você ficou no PT até há pouco, você estava no governo do mensalão, não saiu, você ficou lá como ela.”

Marina sabe que ninguém tem monopólio sobre a moralidade. Marina sabe que não foi o PT que inventou a corrupção neste país. Marina, que enfrentou muitas denúncias (é sempre bom deixar isso claro), sabe que o papel da Justiça é investigar e punir; o do Governo é permitir a investigação.

O PV, embora tenha uma militância forte em todo o país, é hoje um partido nebuloso em relação aos seus princípios. Embora sua candidata à presidência tenha um discurso de esquerda, suas associações políticas são de direita. Aqui, no Rio de Janeiro, o partido associou-se ao DEM, algo impensável para qualquer Partido Verde do mundo. Talvez por causa disso, Marina tenha aprovado e ecoado um certo projeto denuncista medíocre que vimos no primeiro turno das eleições.

Claro que há também os que votaram em Marina sem conhecê-la, simplesmente por acreditarem estar construindo uma alternativa politizada para os últimos 16 anos. Há também os que gostariam de votar em Serra, mas não tiveram coragem de fazê-lo, e abraçaram a candidatura de Marina para não votar com o Governo.

Compreendo que Marina lave as mãos e se proponha a ficar neutra nesse segundo turno: ela faz parte de um partido e deve respeitá-lo.

Mas quem votou em Marina por consciência de seu projeto político, por aquilo que sua biografia representa, agora vota em Dilma Roussef. Disso não tenho dúvida.

Confesso, no entanto, que, se o partido dela assim decidir, vai me doer demais o coração vê-la deixando de lado tudo aquilo em que sempre acreditou por conta de um suposto acordo político com a coligação de oposição.

Marina é verde em sua essência; mais verde que muitos dos caciques de seu partido. Que ela não se pinte de outra cor.

No Facebook, a política

Esgotaram-se os clichês para definir os jovens com seres alienados. De fato, é raríssimo achar alguns deles com consciência política, pensamento crítico, conhecimento de mundo e capacidade argumentativa. Mais raro ainda é encontrar, neste  mundo massificado, os que aceitam pensar diferente do grupo e têm a coragem de assumir suas posições, mesmo quando atacados pela maioria de seus pares. 

Mas esses jovens existem. E, quando eles aparecem, são capazes de provocar uma satisfação danada neste escriba, que nem é tão velho assim, mas já está longe de seus mais verdes anos.

Acompanhei uma discussão no Facebook, rede social na qual o pensamento de direita é dominante, que me fez boquiaberto. Transcrevo-a em seus melhores momentos, sem citar os nomes das pessoas por respeito à privacidade, mas identificando-as por vogais. 

Deixem de lado, se possível, as posições políticas defendidas e admirem a empolgação e a quantidade de informações oferecidas por eles (e seus vinte anos!) para sustentar seus pontos de vista.

Há caminho para o Brasil.

•A: Tenho três curiosidades. Por que você acha que ela vai melhorar o país? Por que você acha que ela é competente? Por que você não quer um governo FHC de novo?
há 2 horas

•B: Tenho as mesmas curiosidades.. Principalmente, porque ela é competente!
há 2 horas

•C: 1- Pq ela representa um projeto que fez o país crescer de forma independente / 2- pq ela foi a mais importante administradora e coordenadora dos principais programas do governo lula, como luz pra todos, pac, e as politicas de desoneração pra enfrentar a crise, fora ter sido ministra de minas e energias que salvou o brasil de um novo racionamento, que seria fatal pro crescimento continuado do país.
há 2 horas


•C: 3- pq eu não quero desemprego na casa dos 20%, não quero a dívida pública na casa dos 60%, não quero um país submisso, tanto ao fmi, qnto aos interesses sos países centrais, quero um país independente, pq não quero uma país crescendo a taxas d 2% ao ano, pq não quero taxas de juros de 40%. Mas mais importante, pq eu quero um país para todas, e não só para a gente que teve privilégio de nascer numa familia rica ou de classe média.
há 2 horas

•B: 1- De que projeto você está falando? Pq se for o que eu estou pensando, foi um projeto criado e implantado no governo FHC.. que o governo LULA simplesmente levou o credito!/ 2- Administradora dos principais projetos???? É disso que você se orgulha? Pois deveria se envergonhar!! O governo que mais teve escândalos de corrupção, mensalão e superfaturamento!/ 3- Você quer o que? Um país para todos? Se quisesse mesmo, votaria no Plínio, que é socialista! Você quer um país que dê bolsa família, bolsa celular, bolsa formação e acabar com a dívida? Dilma precisa ser DEUS! Da onde você acha que vem esse dinheiro todo? Um dia, o dinheiro acaba! Essa política imediatista serve a curto prazo.. Não adianta nada dar o peixe e não ensinar a pescar! País independente? Essa mulher é uma ditadora, intolerante e que trata os funcionários mal (Lula já disso isso em antigas entrevista.. que há reclamações de funcionários)!
há 2 horas


•D: você se contenta com 4,5% ao ano? (menor que haiti né?) Se os portos e rodovias fossem melhores, teriamos uma taxa de crescimento de 5,5% ao ano. Segundo os economistas. Então é aí que entra seu PT que é ruim de infraestrutura.. a se ver pe...lo PAC (46% das obras estão prontas apenas). Serra e PSDB são bons de infra estrutura e isso é fato, só olhar pra são paulo... As "taxas de juros de 40%" ao ano eram pra conter a inflação, uma moeda nova (real na época) precisa de tempo pra se "consolidar". Dentre os outros tantos motivos que você sabe muito bem. Para de pregar que o crescimento economico é decorrente só dos ultimos 8 anos. Isso é totalmente errado, visto que as politica economicas são as mesmas (metas de inflação, cambio flutuante e superavit fiscal). E lá vem você com esse seu ponto de vista uniltaeral, falando sobre divida publica.. Pra captalizar o BNDES o governo se individou muito, não me lembro ao certo.. mas a divida publica ta na casa dos trilhões ( e isso é recorde). "C", tente abrir sua mente para ver a VERDADE das coisas, ser petista ta fora de moda e acho que depois de tantos escandalos e até feio ser petista.
há ± 1 hora 

•E: Essa discussão é interessante, mas esse mlk esqueceu que a dívida do BNDES com o tesoura, vai ser paga, inclusive pq a taxa d inadimplência é mínima, fora que a divida bruta esá alta, mas já está com tendencia de queda, e a divida líquida c...ontinua diminuindo. E a taxa de 40% era pra conter a inflação por causa da maxidesvalorização promovida pelo proprio FHC, alias o fhc segurou a desvalorização pra eleger o fhc, explodiu dpois da eleição, por isso o governo dele terminou com 1 ano do segundo mandato.

Ah e não é nada bom crsceu 4,5% ao ano.. que bom que esse ano cresceremos pelo menos a 6,5% =)

E melhor que bom que agra temos um governo que planeja e investe em infra-estrutura (sim pq pra se investir é preciso planejar e fazer projeto, que só neste governo se faz. um OBs: o serra era ministro do planejamento do governo passado)

Então se apesar dos pesares cresceremos entre 6,5 a 7,5% imagina quando estiverem prontas as obras do PAC e PAC 2??!

MAs eu entendo, nem todo mundo viveu o governo fhc, ou se lembra, eu lembro muito bem, por isso não quero de volta de forma alguma, nada contra a pessoa ou serra ou próprio fhc.

Ah e avisa ao Celso Lafer que os americanos mandaram lembranças...
há ± 1 hora

•C:1-projeto = projeto que ela representa, de inclusão social, etc etc.. e eu quero saber o que q o governo FHC fez que o lula que ganhou crédito por? a política economica? no começo do governo lula d fato era parecida, só que sorte que o gov...erno lula fez melhor.. agora me pergunto se o governo lula na política economica era copia do FHC, pq só no governo lula que o país cresceu a média d 5%? pq só agra o crédito expandiu? áhh deve ser pq o fhc que fez o crédito consignado. pq só agora o brasil investe em infra-estrutura? ahh pq o governo fhc desmontou o estado e o bnds não financiava nada.. só privatização. ahh mas o fernanda henrique enfrentou 3 crises.. blablabla, e quebrou o país as 3 vezes, em crises perifericas, enquanto o lula enfrentou a maior crise mundial desde 29 e fomos os ultimos a entrar e os primeiros a sair..e vamos crescer esse ano a 7,3%. ahhh mas eh verdade.. as reservas que o brasil SÓ acumulou no governo lula, foi graças ao FHC que nunca fez isso..
há ± 1 hora

•C: 2- a corrupção eh um problema estrutural no país infelizmente, mas o governo lula está longe de ter sido o mais corrupto.. talvez vc ache por não lembrar do escandalo do sivam, do proer, da sudam, da sudene, dos grampos do BNDES, fora o es...cadalo da corrupção ( aé tem essa..ela mudou a constituição pra se manter no poder.. que coisa mais chavista isso né? opa o uribe tb fez..) a diferença é que o governo lula combate quando acontece.. existe algo chamado CGU(controladoria geral da união) responsável por investigar todos os desvios, e po se quiser entra no site dela.. lá inclusive vc pode perceber que diversos funcionarios responsáveis por desvios foram punidos e demitidos. outro fato é que o procurador geral da república, agora investiga, le inclusive que denunciou o esquema do mensalão.. e quem indicou ele mesmo?? ahh o lula, que indicou exatamente aquele mais votado pelo MPU
há ± 1 hora

•C: já o FHC q q fez msm?? Ahh sim, indicou o da preferência dele.. e qual era o apelido mesmo?? ahh engavetador-geral da republicaooo. 3- e por fim, 1º acho um erro comparar o plinio ao FHC, este sempre foi muito mais correto e democrata como ...fhc jamais será, mas de qquer forma, se decide, o bolsa familia não era programa fhc? agra eh do lula? ahh qndo eh pra se dar bem eh do fhc, qndo eh pra criticar eh do lula né?.. pois bem, vou ajudar é do LULA e por sinal é um ÓTIMO programa, ele movimenta a economia, ajuda a diminuir a evasão escolar, e a mortalidade infantil e maternal, fora o trabalho infantil..isso sem contar que da um mínimo de dignidade a familias que viviam na miséria, e ele ser excelente não sou nem eu que digo, é a ONU, mas já seria possível perceber pela melhoria de todos os dados sociais.
há ± 1 hora

•C: considero o plínio utópico, mas tratar a erradicação da miséria como utópica, um país pra todos como algo utópico, só diante de uma visão elitista baseada no preconceito e na indiferença em relação a 80% da população. lula e a dilma, não co...mpartilhamos dessa visão, achamos que é sim possível um país digno pra todos, e isso não é ser utópico, é apenas não ser egoísta. Diria até que é ser realista, pois não há nada mais absurdo que imaginar que enquanto ou ouço meu ipod passeando de lancha, existem pessoas que não tem sequer o que comer. Eu não quero essa realidade.
há ± 1 hora 

•C: e pra não concordar com ela e lutar para muda-la não precisa ser socialista, petista, tucano, liberal, cristão, católico, evangélico, budista, muçulmano, judeu, honesto ou qualquer outra qualidade ou posicionamento politico-ideologico, basta ser humano.
há ± 1 hora

•F: eu me recusaria a responder à terceira pergunta (do FHC)...
há ± 1 hora

•D: É verdade... bolsa família não tem nada a ver com a junção de bolsa escola e bolsa alimentação..
E é verdade, tinha me esquecido.. Foi a controladoria geral da união que denunciou todos os escandalos dos últimos 8 anos! A imprensa parcial que deve ser controlada (segundo zé dirceu) e que é odiada por Lula não teve papel nenhum no descobrimento de nenhuma bandidagem! Revista VEJA então, odiada por petistas.. se não fosse por ela a erenice estaria sentadinha lá na cadeira de ministra chefe da casa civil. E sua família enriquecendo as custas de nós. Mas isso é bobagem, nada está provado! FHC foi um presidente horrivel. Controlar a inflação? A.. isso nao tem nada a ver com avanços sociais! Todos os méritos dos ultimos 8 anos são unico e exclusivamente do governo lula! Até o descobrimento dos atos corruptos de seu próprio governo são de sua responsabilidade!

Será Lula ou Homem ou um Deus?!?!
há ± 1 hora

• E:Mais um fato pra dilma ser melhor que o serra: ela consegue entender o que os outros brasileiros falam: http://www.nominuto.com/blog/brasilia-urgente/aliado-de-serra-sugere-fonoaudiologo-para-tucano-entender-sotaque-dos-brasileiros/18709/

tenho duvida se o serra entende de algo além de são paulo..Ver mais
há ± 1 hora

•B: Estou com bastante pressa, por isso vou ser bem sucinta! Primeiro que o o crédito só expandiu no governo lula e a economia só cresceu no governo lula porque esqueceram de te avisar que esse tipo de plano em uma escala federal só tem resulta...do A LONGO PRAZO! E o mérito é sim do fernando Henrique, o Lula apenas seguiu economicamente o projeto do Fernando Henrique! De forma alguma comparei o Plínio ao FHC! Disse que o Plínio é socialista e sei muito bem que o FHC não é, assim como eu não sou! Só que muitas fezes o PT prega um falso socialismo, assim como ema falsa democracia, que é nessa que vivemos! Proibir os comediantes de fazer piadas políticas??? ISSO É REPRESSÃO!!! Quebra de sigilo??? Isso soa mais como ditadura!!!!!!! E só uma coisinha! Você lembra do governo FHC? Pq que eu saiba você era uma criança assim como eu! hahahaha
Bjs
há ± 1 hora

•C: Liberdade de imprensa é sempre bom, mas o que a veja passa a margem do bom jornalismo, se quiser te arrumo um texto (é grandinho) pra ler sobre.. Agora, os méritos do governo Lula são do governo lula sim. tenho duvida se o serra entende alg...o além de são paulo: ou será que os 14 milhões criados pelo governo lula são resultado da obra do fernando henrique? As reservas cambiais tbm? a luz para todos? claro projeto do FHC.. O PAC tbm po, projeto fhc hahahaha brasil respeitado no exterior..dãã alow.. fhc neh..pro-uni? re-uni? obras do brilhante sociologo... micro empresa individual? po idéia do fhc.. é realmente..o fhc ter saído com a popularidade de 30% é pq o Brasil é ingrato.. alias o itamar saiu com 65%.. o Lula com 80% o FHC que foi entre eles saiu com 30%.. tem algo estranho não?
há ± 1 hora

•G: amiga...governo Llua é uma coisa...concordo, foi bom dentro dos limites..agora um governo Dilma está fadado ao fracasso..basta ver relatos históricos..
há ± 1 hora

•B:Tem sim!! Errada é a memória do povo Brasileiro!
há ± 1 hora

•B: Ou melhor.. a falta de!
há ± 1 hora

C: Na verdade a política de crédito, foi graças as ordens do lula, por influencia da dilma e do mantega, para que os bancos públicos aumentassem o crédito e micro-crédito, aí vc sabe né.. a concorrencia.leva os outros a correr atrás.. Depois a gente discute isso de socialismo, social-democracia, pq são questões teoricas e filosóficas d+ para se discutir na base de frases feitas. E não sei que falsa democracia é essa que nos vivemos e que falsa liberdade de imprensa..a veja xingou o lula semana sim, outra semana tb (mentira na outra semana ela falava sobre auto-ajuda), a folha teve liberdade até pra por na capa uma ficha FALSA da dilma..po quer mais liberdade que isso?! quer o q? escarrar na kra do presidente e passar mão na bunda da dilma?
há 59 minutos

•C: ahh e continuando na parte de que vc tem q se informar melhor.. a decisão dos humoristas foi do TSE, o governo lula nada teve a ver com isso.. daqui a pouco vc vai dizer que o lula e a dilma foram culpados pelo pecado original alias isso ateh gerou o #dilmafactsbyfolha no twitter..e quanto a quebra de sigilo.. se for assim.. o serra ta ferrado.. vide o que fez a filha dele que quebrou de 60 milhões..e eu era criança.. mas a história ta aí pra quem quiser ler e aprender =)
há 58 minutos

•B Com certeza.. acho que você precisa fazer exatamente isso, ler e aprender! E não.. UPS, desculpa! Nada o Lula tem a ver com isso, assim como nada ele teve a ver com a revogação da Lei do título de eleitor 48 hrs antes da votação! Digo e repito, você vê o que quer ver! Bjs.. FUI!
há 53 minutos 

• H: sao paulo é exemplo em infraestrutura? um lugar em que voce fica 1h30 com o carro DESLIGADO,por conta de engarrafamento,nao pode ser exemplo em infraestrutura. sao paulo é um caos urbano que as pessoas gostam de comprar com ''primeiro mundo''.
há 51 minutos 

• E: uma coisa me intriga.. se o fhc é tão bom.. e o lula tão ruim.. pq o serra esconde o fhc e tanta colocar o lula no seu programa? o fhc é mal agradecido.. o fujimori foi preso. e o menem é "aquello que no se nombra" , fhc ta no lucro de ser c...hamado d entreguista..
há 49 minutos

• E: Porra nego ta forçando d+.. o STF decidiu por 8 votos a 2.. e a culpa é do lula??

po começarei a lançar boatos tb.. "o Lula falou pra eva: companheira: come essa maça que ela é boa.."
há 46 minutos 

• B: Ahhhh nao, magina! Nem foi revogada por interesse politico nao, ne?! E duendes existem!
há 38 minutos 

• H: só no brasil que as pessoas não têm orgulho da história do lula e gostam de ridicular ele..em qualquer lugar,as pessoas acham ele o cara.
há 35 minutos 

• B: Hahaha.. Exatamente pq nao sao elas que vivem aqui!
há 34 minutos 

• H: sou contra censura a imprensa..mas essa (TV globo,revista veja,istoe) precisam parar de se comportar como partidos politicos,tentando sabotar candidatos (ou alguem esqueceu do epidodio do debate collor e lula,em 89?). por isso,a imprensa precisa parar de se achar intocavel.
há 32 minutos 

• H:exatamente por isso. pq um país moldado no pensamento psdbista nao consegue aceitar a ideia de um trabalhador braçal que nao teve estudo ter tido mais êxito policamente que os diplomados.
há 26 minutos 

• E: Po acho que mais que orgulho da história do cara, que de fato é foda, é preciso ter orgulho de que ele chegou ao poder e não esqueceu sua biografia. Acho triste o autor de "teoria da dependência", ex-exilado, ficar marcado por episódios como... a Alca, a base de alcantara, o ex-ministro tirando sapato nos eua.. Ou mesmo o ex-presidente da UNE, discursou no protesto da central do Brasil, hoje em dia mandar polícia contra greve dos professores, e compartilhar da ideologia da Katia abreu.. Podendo ser apenas mais um entre tantos, o ex-metalurgico preferiu ficar marcado por fatos como este:
http://noticias.r7.com/brasil/noticias/catadores-de-lixo-inauguram-o-palacio-do-planalto-20100824.html
há 25 minutos 

• E: Olha não sei se duendes existem, mas pelo jeito que a conversa ta indo... se existem é por culpa do lula, e se acabaram é por culpa da dilma terrorista assassina de duendes..
há 23 minutos 

• B: Isso mesmo, acho que para governar um pais eh preciso de muito estudo e acho inclusive que deveriam ter pre-requesitos para se tornar candidato a algum cargo! Assim nao viraria essa bagunca de tiririca eleito..
Mas concordo que o LULA tem carisma e que ele conquista as pessoas assim! Diferente da candidata DILMA!
Lembrando que a Dilma NAO eh o LULA!
há 20 minutos 

• E: mas agora sério.. se teve alguém tentando influenciar a votação não foi lula nem dilma:
http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/politica/telefonema-entre-serra-e-mendes-causa-tens-o-no-stf-1.180248
há 20 minutos 

• I: ‎(Me metendo...) O problema é que realidade é diferente de campanha. O Plínio é um cara muito inteligente e tem ideias sérias, mas na campanha ficou parecendo um idiota. Isso porque ele sabia que não ia ganhar, então resolveu aproveitar o e...spaço pra mostrar o que tá errado, cutucar, se fazendo de extremista. O Serra só sabe administrar saúde, então só fala nisso. E a Dilma acaba pagando o pato porque é candidata governista. Fica todo mundo achando que ela é fantoche do Lula, e na verdade ela foi uma das pessoas que levou esse governo nas costas nos últimos 4 anos. A Dilma é uma mulher inteligente pra cacete e MUITO bem preparada pra levar adiante a política social do Lula. Porque eu não sei pra que serve política se não for pra facilitar a vida das pessoas, melhorar as oportunidades. Não adianta nada vc fazer o país crescer se o dinheiro vai todo pro bolso de 10% da população. O governo Lula não resolveu todos os problemas do Brasil, mas fez o país crescer SIM e, dessa vez, atingiu uma parte muito maior da população. No primeiro turno votei Marina, mas no segundo vou votar Dilma, feliz da vida. :)Ver mais
há 18 minutos 

• H: se os direitstas tivessem investido em educação,o lula teria estudo. só mesmo uma pessoa que não tem senso critico acha que o lula chegou onde chegou sem ser uma pessoa muito inteligente,politica e com força de vontade. e isso supera qualquer diploma.
há 17 minutos 

• C: Re, eu faço medicina e NEM ASSIM eu voto no Serra. O cara foi ministro da saude e levou méritos por ideias que NÃO FORAM DELE. e MESMO ASSIM, TENDO SIDO MINISTRO DA SAÚDE, ELE NAO TINHA IDEIA DE COMO A GRIPE SUÍNA , que foi uma epidemiiia e...norme ano passado, é transmitida.
http://www.youtube.com/watch?v=e5rPIG2lpYQVer mais
há 10 minutos 

• E: Po acho que pra qquer profissão é preciso conhecimento, mas existem certos requisitos até mais importantes que o ensino formal não fornece:

Como ensinar sensibilidade social? respeito e consideração por todos? visão de futuro?

você pintar um ......cavalo de branco e pintar de listras pretas, nem por isso ele vai virar um zebra..

Você pode até pegar o melhor economista do mundo, se ele não tiver a noção de que as milhares de formulas matematicas, e swaps reveros, e letras de cambio, devem ter uma função final de melhorar a vida das pessoas, da grande maioria delas, não de 2% (na sua maioria entrangeiros..) de nada serve.. melhor por um robô.. dará no mesmo..

22 de set de 2010

"Nós somos a opinião pública!" - Lula em Campinas

Tive a oportunidade de assisitir a esse comício do Lula ao vivo, pela internet, por meio do Tijolaço, do candidato Brizola Neto, que tem meu voto na eleição para a Câmara Federal.

Confesso que, durante o comício, fiquei emocionado, como, aliás, tenho ficado sempre que ouço o presidente falar nesses últimos tempos: Lula, em termos de retórica, é ímpar. Com todos os seus exageros, com toda a certeza que tem do trabalho bem feito, ele consegue a atenção de todos. Na verdade, vai ser bom para o Brasil ter no governo agora uma pessoa como a Dilma: extremamente competente, com projeto de governo consistente, mas sem a habilidade retórica do meu presidente. É bom conhecer variações de uma mesma música.

Neste vídeo, Lula critica parte da imprensa: aquela que age como partido político, mas que não tem coragem de assumir que agencia determinados candidatos e que se vende como "guardiã da justiça e da isenção" para seus (e)leitores.

Basta ver, por exemplo, como se descontextualizou a já célebre frase "Nós somos a opinião pública!", dita pelo Lula durante esse comício. Muitos da imprensa quiseram ver nisso traços de arrogância, fumos de tirania e autoritarismo. Vocês poderão ver que não é isso. Lula reage contra os chamados "formadores de opinião", declarando alto: "O pobre agora consegue pensar pela sua própria cabeça (...) não precisa mais do tal de formador de opinião pública! Nós somos a opinião pública!".

Lula tem todo direito de criticar a imprensa, como a imprensa - desde que não se venda como isenta - tem direito de criticar o Lula. Se ela não se assume, tem mais é que ser exposta mesmo! Lula nunca censurou a imprensa, é bom lembrar.

Já escrevi demais... Ouçam o Lula, que é melhor!


11 de set de 2010

A luta pela tolerância religiosa





Senhores Deputados,

Foi com profunda preocupação que recebi a notícia de que  o Deputado e pastor evangélico Edson Albertassi, membro dessa casa, apresentou um projeto com o objetivo de anular a lei que declara a Umbanda e o Candomblé bens imateriais do Estado do Rio de Janeiro. O mesmo parlamentar tem, sistematicamente, apresentado projetos de lei que atacam frontalmente as crenças afro-brasileiras e ameríndias em nome do que ele mesmo chama de conduta cristã.

Em um contexto em que demonstrações de intolerância religiosa se tornam cada vez mais costumeiras, a proposta do cruzado-legislador com sede de guerra santa se configura como ameaça aos princípios da tolerância e do respeito às diferenças, elementos básicos para o convívio fraterno da comunidade.

Certa feita escrevi um texto sobre a religiosidade brasileira e a relação de nosso povo com as divindades. Cito alguns trechos, nesse momento em que nossos ritos sofrem toda sorte de ataques, do que então expressei:

"Somos, os brasileiros,  filhos do mais improvável dos casamentos, entre o meu compadre Exu e a Senhora Aparecida - a prova maior de que o amor funciona. E Tupã, que se vestiu com o cocar mais bonito para a ocasião, celebrou a cerimônia entre a cachaça e a água benta.

Uma das nossas mãos está calejada pelo contato com a corda santa do Círio de Nazaré - a outra tem os calos gerados pelo couro do atabaque que evoca as entidades. As mãos do Brasil e do seu povo.

Nossos ancestrais passeiam pela vastidão da praia sagrada dos índios de Morená, retornam à Aruanda nas noites de lua cheia, silenciam no Orum misterioso das almas e florescem encantados nas folhas da Jurema.

Os guerreiros de nossas tropas trazem a bandeira do Humaitá, o escudo de Ogum e o estandarte da pomba branca do Divino Espírito Santo - a mesma pomba que pousou na ponta do opaxorô de Obatalá. São essas as nossas divisas de guerra e paz; exércitos do Brasil."

Escrevi isso porque, senhores deputados, nasci e cresci dentro de um terreiro de macumba. Falo dessa procedência com orgulho tremendo. Minha avó era mãe de santo na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, versada nos segredos da jurema e da encantaria. Fui, por isso mesmo, batizado nos conformes da curimba - protegido pelo caboclo Pery e pelo Exu Tranca Rua das Almas e oferecido aos cuidados da lua velha, num terreiro grande de Nova Iguaçu.

Tive uma infância alumiada pelo rufar dos tambores brasileiros e pelo alumbramento com os caboclos de pena e os marujos e boiadeiros da minha macaia querida. Quem viu, viu - e sabe do que eu falo.

Em um certo momento busquei as raízes mais profundas. Fui ao candomblé, me iniciei, recebi um cargo, cantei em iorubá e conheci a religiosidade afro-caribenha. Em meu peito, todavia, continuou batendo forte a virada dos caboclos do Brasil. De mim, que atravessei o mar só para ver a juremeira, isso ninguém tira !

Conversei com Seu Zé; recebi conselhos de Seu Tranca Ruas; vi a dança de guerra de Seu Tupinambá; fui seduzido pela beleza de Mariana e pela saudade de seu navio; temi a presença de Seu Caveira; cantei a delicadeza da pedrinha miudinha; respeitei o cachimbo velho de Pai Joaquim; me emocionei quando Cambinda estremeceu para segurar o touro bravo e amarrar o bicho no mourão do tempo.

É por isso, pelo meu encanto pela Mãe d´Água, pelo temor amoroso ao caboclo Japetequara - veterano bugre do Humaitá - pela reverência aos que correram gira pelo norte, que me emociono com os santos brasileiros, pretos e índios como nós - por amor ao Brasil ! Amor bonito e dedicado, feito o cocar de Sete Flechas e o diadema de Seu Sucuri no limiar das luas.

É por tudo isso ainda, senhores, que afirmo: Não queremos converter e não queremos ser convertidos. Queremos crer apenas que o Pai maior, em Sua sabedoria, revelou-se a cada povo trajando a roupa que lhe pareceu mais conveniente para que os homens o reconhecessem, feito Zambiapungo e Olorum nos infinitos e Tupã nas matas. 

Os deuses que vieram dos porões dos tumbeiros e das florestas do Brasil  amenizaram séculos de dor e sofrimento e forjaram a armadura da resistência e da dignidade de um povo. Os deuses do Brasil nos ensinaram a olhar a natureza com os contornos da poesia e a delicadeza dos ritos imemoriais. Essa é a tessitura nossa de olhar o mundo.

Divinizamos os homens e humanizamos os deuses para construir uma civilização amorosa nos confins do ocidente. Em nome do oxê de Xangô, do pilão de Oxaguiã, do xaxará de Omolu e do ofá de Oxossi não há um só genocídio perpetrado na face da terra. Nunca houve qualquer guerra religiosa em que se massacraram centenas de milhares de seres humanos em nome da fé nos encantados e orixás. A insígnia de nossos deuses nunca foi a mortalha de homens comuns - nós apenas batemos tambor e dançamos, não morremos ou matamos pela nossa fé.

Eu conheci e (me) reconheci (no) meu deus enquanto ele dançava, no corpo de uma yaô, ao ritmo do vento que balançava as folhas sagradas do mariô, amansando o chão de terra batida à virada do rum. Meu general, com a majestade dos seus passos, fazia farfalhar a copa dendezeiro com a destreza de sua adaga africana. O alfanje de Ogum alumiou meu mundo.

Que cada um tenha o direito de encontrar o mistério do que lhe é pertencimento, em gentileza e gestos de silêncio, toques de tambor e cantos de celebração da vida. 

Olorum Modupé, Nzambi-ampungu!

Luiz Antonio Simas, Ifábiyi.

25 de ago de 2010

Que aula... Que aula...

Às lágrimas... Uma aula, um grande professor. Orgulho e respeito. Com todos os exageros. É o meu presidente!


Pra quem ainda não viu, clique aqui para acessar o documento "O BRASIL NO RUMO CERTO: Realizações do governo Lula".